bolsa família Combate à pobreza PEC de Transição políticas públicas

Transferir renda é pontapé inicial

Desde o encerramento da eleição presidencial, há pouco mais de um mês, um assunto domina o noticiário político brasileiro: a chamada PEC da Transição.

Dado que o orçamento de 2023 já está fechado, o governo eleito negocia saídas para custear alguns investimentos e, sobretudo, para continuar pagando o valor integral do Auxílio Brasil, que agora volta a se chamar Bolsa Família.

Continue reading “Transferir renda é pontapé inicial”

Combate à pobreza desigualdade social empreendedorismo Favela

Rebeldes com causa

O trabalho do terceiro setor só existe graças aos empreendedores sociais. Toda forma de engajamento é importante, mas são esses indivíduos, cujo escritório fica dentro da favela, que viabilizam o combate à pobreza nos quatro cantos do país.

Eles têm algo que não pode ser comprado ou simulado: a vivência no território. São líderes que conhecem pelo nome as famílias mais pobres das suas quebradas. Lembram a cor da casa de cada uma delas e sabem dizer se o chão ali é de terra batida ou de piso. Quando alguma criança não consegue vaga na creche, ou quando alguém descobre um problema de saúde, prontamente a notícia chega à sua atenção.

O “olho no olho” com a população local coloca esses empreendedores em uma posição destacada para criar soluções disruptivas de combate à pobreza. Eles são nossos maiores inventores – nossos “rebeldes”, “encrenqueiros”, como gostava de definir Steve Jobs. Dia após dia, eles desenvolvem tecnologias sociais pioneiras. Com coragem, baseados em sua vivência prática, sem medo de errar e aprender, eles testam cotidianamente jeitos inovadores de desarmar a bomba relógio da pobreza e da desigualdade.

Por isso é tão importante valorizar seu trabalho. Uma das metas da Gerando Falcões é identificar essas pessoas extraordinárias e ajudá-las a acelerar suas habilidades. Nosso braço educacional, a Falcons University, existe justamente para que as ONGs da rede possam construir modelos de gestão mais profissionais, em linha com o que as grandes empresas praticam, e desenvolver plenamente as competências sociais e emocionais de suas lideranças.

Mas isso não basta. É preciso convencer a sociedade do verdadeiro tesouro que os empreendedores sociais representam. O Brasil segue preso a um modelo tradicional, ultrapassado, de dinheiro pelo dinheiro, a qualquer custo. Medidos por critérios estritamente financeiros, esses líderes comunitários, de fato, não têm ainda muita expressão. Trato aqui de pessoas que muitas vezes precisam decidir se pagam o aluguel ou a conta de luz atrasada de suas ONGs. Seus “empreendimentos” não estão listados na Bolsa de Valores.

No entanto, se houvesse uma bolsa que negocia o valor social e ambiental das instituições, não tenho dúvida de que o IPO dessas ONGs bateria recordes. É essa mensagem – cada vez mais consensual entre os próprios agentes do mercado em todo o mundo – que precisamos reforçar no Brasil.

O Encontro Nacional de Favelas, realizado nesta semana em São Paulo, será uma boa oportunidade para isso. O evento reúne cerca de 600 líderes sociais de todas as regiões do país. Por meio da arte, da poesia, da música e, principalmente, das histórias inspiradoras dessas pessoas, vamos (re)aprender como é possível, sim, construir novas maneiras de construir o enfrentamento às desigualdades.

Esses líderes são a prova de que o Brasil precisa valorizar mais a sua gente. Eles representam um país vibrante, criativo, generoso e não podem ficar esquecidos. Esses são, afinal, nossos grandes inventores. Enquanto alguns dos melhores cérebros do mundo recebem todo o suporte necessário para concretizar o sonho de colonizar Marte, nossos “rebeldes” e “encrenqueiros” precisam de ainda mais apoio para cumprir uma missão bem mais urgente: transformar a pobreza da favela em peça de museu

coluna edu

Combate à pobreza desigualdade social Doar

Pessoas carentes: como ajudar de um jeito único?

Ajudar pessoas carentes é uma das ações que guiam a humanidade desde o seu surgimento. A filantropia começou com as igrejas em ações emergenciais. Porém, enquanto a sociedade foi se modernizando, diversas instituições foram sendo criadas e passaram a se profissionalizar.

Por isso, nos dias de hoje, as doações são meios profissionais e gabaritados de ajudar o próximo e nós mesmos. Isso porque, como você já deve ter lido em diversos lugares, fazer o bem libera substâncias, como a dopamina e serotonina, que causam prazer imediato no cérebro.

E dessa forma, ao ajudar pessoas carentes ou em situações de vulnerabilidades, acabamos de alguma maneira liberando esse mesmo tipo de substância, só que diferente, mais prazerosa e se sentindo bem em saber que a pessoa ajudada será beneficiada por a sua ação.

Leia agora: Responsabilidade social: uma necessidade, não um favor

Neste post, vou mostrar 3 maneiras que muitos não levam em conta quando pensam em como ajudar as pessoas carentes, além de 2 métodos convencionais de doação que às vezes passam batido na correria do dia a dia.

Espero que você saia daqui com uma ideia na cabeça e uma doação na mão.

Você pode ajudar pessoas carentes com cabelo

Estamos acostumados com a cena do idoso colocando sua peruca depois de velho para encantar a senhora ao lado. A peruca é vista por muitos como algo inusitado, do humor. Entretanto, temos pessoas ao nosso lado que sonham com um pouco de cabelo. Entre os mais necessitados, estão pacientes que lutam contra o câncer.

Segundo o Centro de Combate ao Câncer (CCC), os remédios utilizados durante a quimioterapia eliminam as células cancerígenas do organismo. Por outro lado, elas não distinguem as células boas ou cancerígenas, causando vários efeitos colaterais, físicos ou emocionais.

 imagem de uma voluntária tendo o cabelo cortado por uma cabeleireira simulando doar os cabelos para ajudar pessoas necessitadas

A recuperação do cabelo ajuda os pacientes a reerguerem sua autoestima, diminuindo outros sintomas do tratamento, como, por exemplo, a ansiedade.

Existem várias instituições espalhadas pelo Brasil que recebem cabelos. A maioria delas requisita que o doador informe o cabeleireiro que o corte será doado. Assim, ele vai poder cortar e armazenar o cabelo da forma adequada. 

Fique esperto, pois, se doar cabelo molhado, pode ser que a doação tenha que ir para o lixo.

Confira mais sobre doação capilar no site da Organização Rapunzel.

Você pode ajudar crianças carentes com leite materno

Outro ponto que poucas pessoas lembram quando falamos em como ajudar pessoas carentes diz respeito ao leite materno. Os hospitais do Brasil e do mundo imploram por leite materno para crianças órfãs ou que nascem de mães com baixa produção de leite.

Além de ajudar pessoas carentes, doar leite é recomendado pois evita o desenvolvimento de câncer de mama. Além disso, cada 1 litro de leite materno pode alimentar mais de 10 bebês internados. Isso porque a quantidade de leite de que cada bebê precisa varia dependendo do peso ou idade dele.

Outro ponto é que, ao doar, a mãe aumenta sua própria produção de leite devido ao estímulo que acontece no corpo depois de retirá-lo. Assim, a mãe não precisa se preocupar com a falta de leite para o seu próprio bebê.

Agora, é só procurar o hospital mais próximo e ajudar uma criança carente de leite a ter a chance de uma vida melhor.

Ajude pessoas carentes doando seu valioso tempo

Na era moderna, em meio a redes sociais, trabalho, família, trânsito e diversão, o tempo é, cada vez mais, um dos bens mais valiosos da humanidade. Portanto, doar nosso sagrado e valioso tempo é um método de fazer o bem.

Leia agora: 5 motivos para virar voluntário

O voluntariado faz com que você ajude o próximo e a si mesmo. Isso porque, além de ensinar, podemos aprender muito no convívio e troca de experiências com nossos semelhantes. Na Gerando Falcões, você pode ser voluntário de diversas formas. Uma delas é no nosso Programa de Mentoria.

imagem de um casal carregando tijolos simulando ajudar pessoas necessitadas

No Programa de Mentoria, você pode ajudar pessoas carentes sendo o guia de líderes sociais e jovens em busca de um horizonte. Com apenas 1 hora por semana, você pode ajudar um jovem a decidir o seu futuro profissional e orientá-lo nos dilemas da vida. Com 4 horas, você ajuda um líder social a guiar sua Favela de maneira profissional.

Vire um mentor agora!

Ajude pessoas carentes com alimentos

Infelizmente, a falta de alimentação ainda é um mal no Brasil e no mundo. Porém, não há falta de produção de alimentos, mas, sim, de alimentos para todos. Segundo matéria da BBC:

“O chamado Índice de Desperdício de Alimentos 2021 apresenta um número quase assustador: em 2019, foram 931 milhões de toneladas de alimentos desperdiçados. Isso sugere que 17% da produção total de alimentos do mundo foram para o lixo.”

 imagem de uma pessoa com as mãos estendidas como se estivesse pedindo comida

Então, não estamos falando apenas de comprar e doar alimentos, mas, sim, de ajudar pessoas carentes com alimentos que vão da geladeira para o lixo. Tenho certeza de que, na próxima vez em que você for pegar o doce da madrugada, vai lembrar de doar aquela bolacha largada no fundo do armário.

Você pode ajudar com roupas, livros, móveis e objetos usados

Falando em desperdício: já parou para pensar em quantas roupas, livros, móveis e sapatos também estão parados na sua casa esperando por um novo lar?

Doar objetos é um jeito de fazer a limpa no nosso lar e ajudar pessoas carentes. Alguns até aderem à corrente minimalista depois de se desfazerem de objetos que só faziam volume na sua casa.

 imagem de um grupo de pessoas embalando roupas para ajudar pessoas necessitadas

Na Gerando Falcões, temos o nosso Bazar. Recebemos doações dos mais diversos objetos e vendemos os produtos até 70% abaixo do valor do mercado tradicional. Isso para fazer a economia da Favela circular e ajudar pessoas. Assim, queremos dar a chance para todos adquirem produtos que não passavam pelos seus mais belos sonhos.

Confira tudo sobre o nosso bazar!

imagem com o texto: “Gostou? Não esquece de curtir, compartilhar e comentar nas suas redes. Juntos, vamos fazer esse blog voa!”

Combate à pobreza Energia Solar esg Favela MEIO AMBIENTE Tecnologia urbanização

Favela solar

As últimas semanas nos deram amostras do potencial destrutivo de eventos climáticos extremos. As cenas de cidades submersas na Bahia, em Minas Gerais e no Norte ficarão coladas em nossas retinas cansadas de testemunhar desastres evitáveis. As chuvas intensas, aliadas à estiagem no Sul, foram manifestações locais de uma crise ambiental e social que desconhece fronteiras.

Esses fenômenos, que tendem a ficar cada vez mais frequentes, nos colocam em uma encruzilhada. Nossa geração é provavelmente a última que tem a oportunidade de fazer algo para alterar de maneira significativa o rumo das mudanças climáticas. Ignorar essa responsabilidade equivale a sentenciar as próximas gerações a um futuro de incerteza.

 Ajude agora as vítimas das tempestades

Se nada for feito, resta torcer para que funcione a empreitada de colonizar Marte, propagandeada por Elon Musk, o bilionário fundador da SpaceX – se bem que duvido que os brasileiros mais pobres pegariam carona nessa arca da salvação interplanetária. A solução para a crise ambiental passa por Marte, sim, mas não o distante planeta frio – eu me refiro à favela tropical ensolarada.

Gerando Falcões no combate à vulnerabilidade social

Marte, em São José do Rio Preto (SP), ganhará infraestrutura de placas solares que a tornará a primeira favela do Brasil totalmente autossustentável em geração de energia elétrica. É um projeto pioneiro na América Latina e, talvez, no mundo. Com cerca de 240 residências atendidas, a instalação dos equipamentos será custeada pelo Banco BV, que dá assim um exemplo de como transformar a tão falada agenda ESG (ambiental, social e governança) em ação prática.

A autonomia energética sustentável da Marte é parte do projeto da Favela 3D (digital, digna e desenvolvida), implementado pela Gerando Falcões, que busca transformar aquela comunidade em uma verdadeira base de lançamento de tecnologias sociais. Lá, testamos projetos pioneiros para primeira infância, empoderamento feminino, capacitação profissional, reurbanização e muito mais. Na Marte também estamos implementando o projeto Decolagem, que busca soluções personalizadas e mais eficientes de combate à pobreza, com a ajuda de algoritmos e da ciência de dados. Acredito que todos os agentes sociais – governos, iniciativa privada, organizações da sociedade civil – deveriam perder o medo de implementar ideias ou tecnologias pela primeira vez.

Não se trata de vaidade de querer chegar primeiro – nossa luta, afinal, é coletiva. A questão é que a crise atual pede soluções que ainda estão por ser inventadas. Nesse sentido, temos a obrigação de inovar. Nosso compromisso com as próximas gerações é apostar em conceitos disruptivos que permitam não apenas melhorar processos, mas levem a verdadeiros saltos de desenvolvimento humano e social. Essa é a escala em que devemos atacar nossos problemas.

O combate à pobreza e a proteção ao meio ambiente são agendas que precisam andar de mãos dadas. Com a transformação da Marte na primeira comunidade solar e autossustentável do Brasil, damos mais um passo na direção de um futuro melhor para nossos filhos e netos – e sem depender de vaga em foguete de gringo.

Coluna publicada no Jornal O Globo em 18/01

Combate à pobreza desigualdade social Favela

O que é vulnerabilidade social?

Em primeiro lugar, o conceito de vulnerabilidade social é multifacetado, complexo e diz respeito ao contexto econômico e social de determinado indivíduo ou grupo, relacionado ao seu nível de fragilidade moral e/ou material. Então, pode-se dizer que uma pessoa não nasce vulnerável, mas torna-se pela falta de acesso e apoio da sociedade e do governo.  

De acordo com todas as compreensões do termo, existem diversos processos de exclusão social até a violação dos direitos desses indivíduos e grupos. Isso de acordo com o nível de renda, a localização geográfica, saúde, educação, etc. 

Entretanto a vulnerabilidade social define-se por pobreza, privação, fragilização de vínculos afetivo-relacionais e de pertencimento social. Além disso, a situação de vulnerabilidade social tem relação direta com o resultado negativo entre a estrutura material e o acesso a oportunidades socioeconômicas e culturais que provêm da sociedade, do mercado de trabalho e do Estado. Desse modo existem alguns tipos de vulnerabilidade social, destacados a seguir.

Continue reading “O que é vulnerabilidade social?”

Combate à pobreza Nova York

Do mundo para a favela

Minha temporada em Nova York está chegando ao fim. Depois de quatro meses na metrópole que, mais que um ícone do capitalismo, é conhecida por lidar com complexidades econômicas e sociais, preparo-me para voltar. Saí do Brasil, mas o Brasil não saiu de mim: da favela para o mundo, do mundo pra favela.

Edu Lyra e sua mãe, dona Gorete

Considero cumprida a missão de ter ajudado a viabilizar o estabelecimento do escritório internacional da Gerando Falcões, liderado por Mauricio Morato. Ainda há uma longa e sinuosa estrada pela frente, sim, mas podemos olhar pelo retrovisor e constatar que parte do caminho já foi percorrido.

Levantamos o equivalente a quase R$ 5 milhões em diversas ações. Só um jantar aqui, organizado pelos empresários e amigos Carlos Brito, Cláudio Ferro e Jorge Paulo Lemann, foi responsável por 60% dessa arrecadação. Num evento similar em Miami — com apoio da XP, Accenture e dezenas de embaixadores —, captamos mais R$ 1,4 milhão. Outros doadores também se fizeram presentes ao longo desse período.

Dinheiro é importante para financiar causas sociais — mas não é tudo. Por isso dediquei parte do tempo no exterior a construir pontes. Novas relações foram criadas. Desenvolvemos comunidades de apoiadores. Tudo isso contribui para a agenda de combate à pobreza. A favela terá muitos frutos a colher nos próximos anos. E continuamos plantando. No próximo ano, iremos a Londres, Lisboa e Boston, cidades onde estamos mapeando parceiros e redes de pessoas que queiram usar sua cidadania para reduzir as desigualdades em nosso país.

Não se faz isso tudo sem inglês. “Você precisa aprender inglês”, cantava Caetano Veloso em “Baby”, para irritação dos puristas da língua portuguesa. Mas o compositor tinha razão, precisamos aprender inglês. Quando aqui cheguei, the book was on the table. Ainda está, e sei que o livro nunca mais sairá da minha mesa. Mas, estudando na Kaplan, com bolsa do STB, evoluí.

Tem sido um curso intensivo, com aplicação instantânea. Um pouco do que aprendi em aula usei na semana passada no Bloomberg New Economy Forum, em Cingapura, onde, ao lado de Lemann e Edu Mufarej, representei o Brasil. O evento contou com a presença de chefes de Estados, ministros, empresários e inventores sociais da Ásia, África e América Latina. Apresentações de gente como a ex-secretária de Estado americana Hillary Clinton e Bill Gates, que, por meio de sua fundação, doa bilhões de dólares a países do mundo todo para combater as mazelas da pobreza. Consumi conteúdo de ponta, participei de reuniões estratégicas, debati a reinvenção das cidades.

O combate à pobreza precisa ser uma agenda global, coordenada em rede, com envolvimento de toda a sociedade. Estamos numa encruzilhada econômica, social e moral. A pobreza em qualquer lugar é uma ameaça à estabilidade global. Transformar a pobreza em peça de museu precisa ser a prioridade número um, não apenas da Gerando Falcões, mas de todos os cidadãos, em todas as partes do mundo.

Minha mãe me ensinou: “Não importa de onde você vem, mas para onde você vai”. Eu sei para onde eu vou. Vou para onde a causa social me chamar. Vou para o Brasil. Bye-bye, Nova York. Hello, Guarulhos.

Coluna publicada no jornal O Globo em 23/11/2021

Confira também: Características do empreendedorismo social

coluna edu

Qual doação gostaria de fazer?